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METO? NÃO, PONHO.

O episódio conta-se em poucas palavras: durante o mês de Agosto último, tive a possibilidade de ir buscar a minha neta ao infantário. Julgo que esta deverá ser uma das tarefas que os avós aposentados desempenham com mais prazer. Sabem que os espera um sorrisinho aberto e, quando a idade do neto ou neta o permite, uma corrida, mais ou menos apressada, em direcção aos seus braços. Pois assim foi. Tinha já junto de mim a minha neta e falava com a educadora, uma jovem de rosto afável e simpático, que viera cumprimentar-me e fazer um relato rápido das ocorrências do dia.
De repente, surgiu junto de nós um rapazito, pouco mais velho do que a minha neta, afogueado pelo calor e pela brincadeira. Vinha dar à educadora um beijo de despedida. Ela, reparando no rosto suado e nas mãos sujas da criança e pedindo-me desculpa pela interrupção, foi buscar uma toalha e encaminhou-a para o local onde deveria lavar-se. Tínhamos retomado a conversa, quando a criança, lavados o rosto e as mãos, lhe perguntou, empunhando a toalha:
- Onde a meto?
- Meto não, ponho – corrigiu a jovem, segurando a toalha que a criança lhe estendia e explicando-lhe a diferença entre os dois verbos.
Fiquei agradavelmente surpreendida e, manifestando a minha surpresa, elogiei a sua atitude.
Este erro, ou seja, o emprego indevido do verbo meter com o sentido de pôr, tem vindo a ganhar terreno, especialmente entre a gente jovem. Influência da língua francesa em que o verbo mettre tem o significado do nosso verbo pôr? Não sei. O que sei é que todos os educadores, ou seja, todos os que têm a seu cargo a tarefa de educar e ensinar as nossas crianças, deveriam seguir o exemplo desta jovem, pugnando pelo uso correcto da nossa língua, língua que é património de todos nós e factor integrante da nossa identidade.

Profª Helena Monteiro

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