Avançar para o conteúdo principal

À Conversa com...Margarida Bessone


O Sinal foi conversar com a professora Margarida Bessone que, durante 40 anos, foi professora nesta escola e que acaba de se aposentar.
Sinal: Por que decidiu ser professora?
Margarida Bessone: Sempre gostei de português e francês, aliás eram as minhas disciplinas preferidas. Ainda ponderei a hipótese de seguir Psicologia, mas era preciso Matemática e isso estava fora de  questão. Sempre gostei muito de literatura, lia horas a fio. O ensino foi uma escolha natural.
S.: Que balanço faz da sua vida como docente?
M.B.: É um balanço muito positivo. Gostei sempre muito da minha profissão. A certa altura pensei que se não tivesse sido professora teria sido atriz, mas no meu tempo de rapariga essa opção era impensável, pois havia um certo preconceito face à profissão:teria de sair de casa e ir para um ambiente totalmente diferente. Apesar disso, gostei sempre muito de dar aulas, de ensinar, de ver os progressos dos alunos. Às vezes, quando encontro antigos alunos, recordamos em conjunto coisas feitas e com as quais me diverti imenso. Isso também é uma recompensa. Foram 44 anos muito cheios de atividades, de muito convívio, de muita vida…Foram anos muito bons.
S.: Podemos depreender que, se voltasse atrás, optava novamente por ser professora?
M.B.: No contexto atual, não sei...Não pensei muito nisso. Fui inspirada pelo meu gosto pessoal. Na altura escolhi assim e não me arrependo.
S.: Certamente tem presentes alguns episódios marcantes ocorridos durante as aulas. Pode recordar algum?
M.B.: Houve muitos momentos divertidos. Por exemplo, certa vez estavam os meninos todos distraídos na conversa durante a aula. Então comecei a dar a matéria a olhar para o teto e para as paredes. Os alunos olharam para mim e estranharam. Então eu comentei: “Já que vocês não prestam atenção, estou a falar para as paredes.”
Recordo-me também de um episódio em que coloquei um cartãozinho com um poema de Carlos Drummond de Andrade junto de um aluno que volta e meia adormecia na aula que era o seguinte:
                      O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
                      Um aluno dorme, cansado das canseiras desta vida.
                      O professor vai sacudi-lo?
                      Vai repreendê-lo?
                      Não.
                      O professor baixa a voz,
                      Com medo de acordá-lo.
Ele sorriu e evitou deitar a cabeça na mesa daí para a frente! Esta forma de abordar certos alunos dá  mais resultado do que outras mais agressivas…
S.: Fora do contexto das aulas, recorda de outros aspetos que a tenham marcado?
M.B.: Estou a lembrar-me do dinamismo cultural que houve nesta escola. Destaco as jornadas culturais da Escola Joaquim de Carvalho com as suas atividades - exposições, teatro, saraus, o baile dos anos sessenta, o chá romântico, a comemoração do centenário da República, entre outros. Destaco ainda, intercâmbios com alunos franceses de Gradignan ou com a cidade sueca de Karlstad entre outras cidades. Fiz parte do Theatro do Lyceu dinamizado pelo professor António Tavares. Apresentámos várias peças para a comunidade escolar e não só.
S.: Foi difícil conciliar a vida profissional com a vida familiar?
M.B.: Não. Moro perto da escola e pude contar com a ajuda da minha família.
S.: Agora com mais tempo livre, tem certamente novos projetos em mãos. Quer partilhá-los connosco?
M.B.: Pretendo continuar no “Páteo das Galinhas” e integrar o grupo que vai fazer teatro para as escolas do Ensino Básico: o “Páteo de histórias”. Contamos histórias aos pequenitos, próprias para a idade deles e dramatizamo-las.
Gosto de pintar, por isso vou ter aulas de pintura, vou também dar sequência ao que já gostava de fazer - dançar, fazer desporto, fazer caminhadas... e tenho viagens programadas porque viajar é uma das coisas que mais gosto de fazer.
S.: Diga cinco coisas que dão valor a existência?
M.B.: Viver em harmonia com a minha família; pertencer há 50 anos ao grupo coral “Ressurgir”; conviver com os amigos; passear, ler e dançar.
S.: Que mensagem gostaria de deixar aos leitores do Sinal? M.B.: Aos leitores do Sinal quero dizer que deem valor à escola, às oportunidades de aprender sempre mais e que enfrentem os desafios com coragem, pois são eles que nos fazem mais fortes. Valorizem o esforço e acreditem que podem concretizar, pelo menos, alguns dos maiores sonhos. Sejam felizes e carpe diem!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Entrevista a Maria Raimundo, Presidente da Associação de Estudantes

O Sinal foi conversar com a recém-eleita Presidente da Associação de Estudantes, Maria Raimundo, aluna do 12.º D, que simpaticamente se predispôs a responder às nossas perguntas. Sinal - Por que motivo decidiste candidatar-te ao cargo de presidente da AE e o que significa este cargo para ti? Maria Raimundo - Quero, em primeiro lugar, agradecer o vosso convite para responder a estas perguntas. Sinto-me lisonjeada enquanto Presidente da Associação de Estudantes da ESJC e também enquanto jovem figueirense. Sempre me considerei uma pessoa altruísta e, simultaneamente, proativa. A preocupação com os que me rodeiam e o seu bem-estar aliados à minha vontade de querer sempre estar envolvida em projetos da comunidade culminaram na questão “Que posso fazer para tornar a minha escola num sítio mais acolhedor e mais dinâmico?”.  Afinal, é aqui que passamos a maior parte do nosso tempo. A decisão de criar uma lista para a Associação de Estudantes e, consequentemente, de me candidatar para a s...

À conversa com..... o Dr. Carlos Santos, Diretor da JC

Jornal Sinal foi entrevistar o Dr. Carlos Santos, diretor cessante da escola Secundária dr. Joaquim de Carvalho. Para já ficam algumas notas biográficas. Nasceu na Figueira da Foz e estudou nesta escola. Licenciou-se em Filosofia na FLUC. É casado, e pai de dois filhos, que também foram alunos da nossa escola. Lecionou em diferentes escolas secundárias, como o próprio explica. Carlos Santos - Por onde é que eu andei? A primeira escola onde lecionei foi a escola secundária da Gândara dos Olivais, seguiu-se a de Alcobaça, que era uma escola que tinha uma exploração agrícola. Depois, fui para o Oliveira do Hospital, finalmente, vinculei em Alcanena, onde fui efetivo-provisório, isto é, professor do Quadro de nomeação Provisória. No ano 1988-1989, vim para a Figueira da Foz, para a escola Dr. Bernardino Machado. Foi nessa altura que nasceu o meu filho. Depois fui para Odemira, a 375 quilómetros de casa. Foi nessa escola que eu efetivei em quadro de escola e onde permaneci e fiz o meu est...